Sem contexto
o número existe, a conclusão não
Em vídeo num supermercado, comparou a picanha a R$ 49,98 o quilo em 2019 com R$ 89,90 em 2026 e disse que "o poder de compra do brasileiro acabou".
O dadoA maior parte da alta das carnes foi de 2019 a 2022. E a renda média real do trabalho está perto do recorde (R$ 3.777, jun-ago/2026).
Por que sem contexto
O vídeo usa 2019 como base, então a alta inclui os quatro anos do governo Bolsonaro. Pelo IPCA (IBGE), o item carnes subiu 72,6% de jan/2019 a dez/2022 e 18,5% de jan/2023 a set/2026; o subitem picanha, medido desde 2020, subiu 38,0% de 2020 a 2022 e 7,3% de jan/2023 a set/2026. Sobre o poder de compra, a PNAD Contínua mostra renda média real do trabalho de R$ 3.777 em jun-ago/2026, acima dos R$ 3.333 de jun-ago/2019 e perto do maior valor da série (R$ 3.804, jan-mar/2026). Os preços do vídeo não têm fonte informada.
Cálculo feito pelo site: Variação de preço citada no vídeo: 89,90 / 49,98 - 1 = +79,9%. IPCA acumulado = produto de (1 + variação mensal) - 1. Renda real: 3.777 / 3.333 - 1 = +13,3%.
Fontes
- IBGE, IPCA (tabelas 1419 e 7060, item carnes e subitem picanha)Período: jan/2019 a set/2026cópia arquivada
- IBGE, PNAD Contínua (tabela 6390, rendimento médio real habitual)Período: jun-ago/2019 a jun-ago/2026cópia arquivada